A vida descalço, do escritor argentino Alan Pauls, chega ao Brasil pela Editora Companhia das Letras

Esse livro me trouxe sensações únicas, nostálgicas, levou meu pensamento longe. Nesta mescla magnética de ensaio e memória, o autor argentino faz da praia o lugar da disponibilidade, dos encontros, do ócio, espaço-chave na vida moderna; experiência íntima e estereótipo, utopia selvagem e palco daquilo que chamamos de civilização. 

"Nós, os que vamos à praia, vamos sempre mais ou menos atrás da mesma coisa: das marcas do que o mundo era antes que a mão do homem decidisse reescrevê-lo."

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É dessa maneira que o narrador de A vida descalço avança, em uma deriva que o levará da memória à história social, do ensaio cultural a tudo aquilo que jaz sob a areia da praia, esse lugar “franco, transparente, aberto ao céu ‘como uma boca ou uma ferida’”. Desafiando os lugares-comuns tanto do pensamento como do prazer, Alan Pauls nos apresenta a praia como ambiente da imaginação. Entre hordas turísticas e a areia deserta, os enigmas da praia se veem auscultados ao contrário: a beira-mar como lente de aumento para investigar a vida civil, a superprodução de sonhos (“sonha-se muito na praia”), a utopia política, os corpos bronzeados, e o verão como invenção midiática. Fenomenologia íntima e paródia do intelectual em férias, este livro nos conduz à praia da infância do narrador ― o litoral de Villa Gesell, ao sul de Buenos Aires, onde por mais de quinze anos o autor passou suas férias de verão ―, às ficções estivais de François Ozon e Eric Rohmer, às areias do Rio de Janeiro dos anos 70, às fantasias ascéticas da antipraia invernal.

De shorts e havaianas, "com a pele branca de sal e os ombros em processo avançado do descascamento", o narrador nos mistura ao balneário, ao calor, à condição edênica de locais como Cabo Polonio, à comunidade hippie-mochileira que, no fim dos anos 1960, com suas barracas, violões e fogueiras noturnas, saiu para reivindicar ermos de mar e areia então selvagens como Santorini, Hvar, Belize ou Ibiza. Escutamos o grito de guerra de Maio de 68, "sob a calçada, a praia"; vemos Honey Rider brotar da água — de biquíni branco e faca na cintura — e avançar pela areia em 007 contra o satânico dr No, e somos levados ao dia em que o narrador, ainda criança, doente, não pôde estar perto do mar ("um lugar que associa com a forma mais perfeita da felicidade") e passa o dia mergulhado num livro, "o outro lugar que tem a forma da felicidade perfeita."

A vida descalço, nas palavras da escritora argentina Pola Oloixarac, nos coloca diante de "um relato em que a fineza especulativa, o humor rasante e o descobrimento inusual do que está próximo brilham como nunca na elegante música que faz de Alan Pauls um dos príncipes mais distintos da literatura em língua espanhola."






"Nem sempre um garoto que passa as férias de verão perto do mar encontra consolo num adulto que escreve. A sucessão de imagens e cenas da praia nos ajuda a encontrar uma solução a este elegante enigma." — Luis Chitarroni

"Um dos escritores imprescindíveis da atual literatura latino-americana." — Alejandro Zambra


Saiba mais sobre o autor:
Alan Pauls (Buenos Aires, 1979) é escritor, roteirista e crítico de cinema. Foi professor de teoria literária na Universidade de Buenos Aires, docente visitante em Harvard e fundador da revista Lecturas Críticas. Entre seus principais livros se destacam O pudor do pornógrafo (1985), Wasabi (1994), O fator Borges (2000), a trilogia História do pranto (2021). Consagrou-se com a publicação de O passado em 2023, vencedor do prestigioso prêmio Herralde e adaptado para o cinema por Hector Babenco. 


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